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Ilustração de lesões na mama

O que são as lesões pré-cancerígenas na mama?

Embora não sejam efetivamente um câncer, as lesões pré-cancerígenas na mama podem exigir intervenções para reduzir o risco de desenvolver um câncer de mama

Um câncer de mama é uma doença em evolução a partir da reprodução descontrolada das células de diferentes pontos do tecido mamário. Em alguns casos, a presença das chamadas lesões pré-cancerígenas ou lesões precursoras de câncer de mama podem apontar que uma paciente tem um risco maior de ter câncer de mama no futuro.

Ainda que nem toda mulher com uma lesão pré-cancerígena vá desenvolver efetivamente um câncer de mama, o diagnóstico desse tipo de formação merece atenção especial. Isso pode envolver o acompanhamento e a adoção de medidas para prevenir o risco associado.

Quais as características das lesões pré-cancerígenas?

Na prática, lesões pré-cancerígenas da mama são resultado de alterações nas células que compõem o tecido mamário, mas que ainda não indicam a presença de um câncer de mama propriamente dito. Elas recebem esse nome justamente por predispor a um risco maior de desenvolver um câncer de mama.

Diferente do que acontece em lesões benignas, nas lesões pré-malignas as células já apresentam alguma alteração no material genético. Dependendo do grau de progressão da lesão, o grau de semelhança com um câncer se torna cada vez maior, até o ponto que a disseminação da célula atinge áreas adjacentes do ponto original de disseminação.

Logo, é fundamental que tais alterações sejam identificadas e acompanhadas da forma mais rápida possível. Tal recomendação muitas vezes esbarra na falta de sinais e sintomas nítidos para essas condições, bem como na dificuldade de diferenciar a presença da lesão até mesmo com o suporte dos exames de imagem.

Quais são as lesões pré-cancerígenas mais comuns?

A maioria das lesões pré-cancerígenas na mama são classificadas como hiperplasias. Elas podem atingir estruturas da mama como os lóbulos (glândulas responsáveis pela produção de leite materno) e os ductos (estruturas que levam o leite até o mamilo). Essas condições podem afetar mulheres de qualquer idade, mas tendem a alcançar com maior frequência aquelas acima dos 35 anos.

Hiperplasia simples ou usual sem atipias (lobular ou ductal)

As hiperplasias simples são lesões causadas pelo aumento do número de células justamente nos lóbulos ou nos ductos mamários. Assim, quando atinge os ductos mamários, recebe o nome de hiperplasia ductal usual e quando alcança o lóbulo, recebe o nome de hiperplasia lobular.

Geralmente, tal condição não gera dor ou a formação de um nódulo perceptível. De acordo com a American Câncer Society (ACS), a presença de hiperplasias usuais ou sem atipias na mama pode elevar o risco de câncer entre 1,5 e 2 vezes quando comparadas a mulheres que não apresentam tal formação.

Hiperplasia atípica (lobular ou ductal)

Nas hiperplasias atípicas também há um aumento do número de células nos lóbulos ou nos ductos da mama. Entretanto, o padrão de disseminação é irregular, consideravelmente diferente do que seria considerado. Logo, elas recebem a designação de atípicas. Tal condição também recebe o nome de hiperplasia lobular com atipias (HLA) ou hiperplasia ductal com atipias (HDA).

Também de acordo com a ACS uma mulher com hiperplasia atípica tem risco entre 4 e 5 vezes maior de desenvolver um tumor na mama do que mulheres sem alterações do tipo.

Carcinoma lobular in situ

Os carcinomas lobulares in situ são outro tipo de lesão que pode predispor a um risco maior de desenvolver câncer de mama. Um carcinoma se caracteriza pela proliferação anormal de células ao longo dos lóbulos mamários, mas não invadem os tecidos próximos.

Além disso, esse tipo de lesão pode ser classificado como clássico (com células menores e mais ou menos do mesmo tamanho), pleomórfico (com células maiores e arranjo anormal) ou florido (com disseminação grande o suficiente para formar uma massa de células com uma área de células mortas no centro).

Em geral, a presença de um carcinoma lobular in situ pode elevar o risco de desenvolver um câncer entre 7 e 12 vezes, como aponta a ACS.

Leia também: O que você precisa saber sobre os carcinomas lobulares invasivos?

O que deve ser feito para diagnosticar e acompanhar esses quadros?

Quase sempre o diagnóstico de uma lesão pré-cancerígena na mama é feito durante exames de rotina para identificar um possível câncer de mama. Entretanto, é preciso considerar que nem sempre essas alterações aparecem em exames de imagem, como as mamografias.

Dessa forma, a biópsia costuma ser o recurso mais utilizado para confirmar a presença de uma lesão pré-cancerígena. Confirmado o diagnóstico, o médico orientará a paciente sobre as ações de acompanhamento, prevenção e, eventualmente, profilaxia. Assim, é possível reduzir o risco de que a lesão desencadeie para um câncer de mama.

Em geral, as hiperplasias simples não exigem intervenções de prevenção. Por outro lado, hiperplasias atípicas, sejam elas ductais ou lobulares, podem indicar a realização de uma pequena cirurgia para remover o tecido afetado, garantindo se há ou não presença de lesão cancerígena associada à alteração. Além disso, pode haver recomendação de retornos periódicos mais frequentes (a cada 6 ou 12 meses), para a devida avaliação da mama e a realização de exames de rastreamento.

O médico pode prescrever medicamentos que reduzem o risco de desenvolver câncer (como o tamoxifeno, por exemplo) e orientar sobre mudanças de estilo de vida que contribuam para minimizar as chances de ter a doença.

Nos casos de carcinomas lobulares in situ, as recomendações tendem a ser as mesmas. Porém, algumas pacientes podem se beneficiar de mastectomias profiláticas, principalmente na presença de alterações nos genes BRCA1 e 2. Esse procedimento pode ser seguido de reconstrução mamária. Embora invasiva, médico e paciente precisam discutir com cuidado os benefícios dessa opção diante do risco adicional gerado pelas lesões pré-cancerígenas na mama identificadas.

Para reforçar a prevenção, veja o que precisa saber sobre possíveis sinais e sintomas de um câncer de mama.

Médica mastologista especializada em reconstrução mamária. Além de sua prática clínica, Dra. Brenda atua como mastologista no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, é preceptora da residência médica de Mastologia na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-UNIFESP) e membro titular da Sociedade Brasileira de Mastologia. | CRM-SP 167879 / RQE – SP Cirurgia Geral: 81740 / RQE – SP Mastologia: 81741

ps.in@hotmail.com

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