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Casal conversando com médico sobre a fertilidade

O que você precisa saber sobre a fertilidade durante o tratamento do câncer de mama

É normal que a fertilidade durante o tratamento do câncer de mama seja uma preocupação entre pacientes com o desejo de engravidar.

Não é raro que diante de um diagnóstico de um tumor nas mamas, a preocupação com o desejo de ter filhos fique em segundo plano. No entanto, o combate à doença pode incluir também discussões sobre a manutenção da fertilidade durante o tratamento do câncer de mama.

Isso garante à paciente a possibilidade de discutir e escolher alternativas que permitam a ela preservar a capacidade de levar em frente uma gestação, se esse for o seu desejo. Existem vários métodos para isso e eles são seguros, principalmente entre mulheres jovens, público cujo impacto de um câncer sobre a fertilidade tende a ser maior.

Que aspectos relativos à fertilidade devem ser discutidos antes do início do tratamento?

Ser diagnosticada com um câncer de mama não é impedimento absoluto para uma gravidez segura no futuro. Muitas mulheres passam pelo tratamento e têm filhos normalmente. Isso, claro, não exclui a necessidade de abordar esse tópico junto ao médico responsável pelo seu acompanhamento.

Em um primeiro momento é fundamental ter consciência que diversos recursos usados para tratar um câncer de mama podem afetar a fertilidade. Um exemplo disso é a quimioterapia, capaz de prejudicar a função dos ovários mesmo depois de encerrado o tratamento. Além disso, diante da necessidade do uso de determinados fármacos (como o tamoxifeno, por exemplo), a recomendação é que se evite engravidar.

A partir disso, se a fertilidade é uma preocupação do médico e da paciente, antes do início do tratamento, devem ser considerados aspectos como a gravidade do quadro, as perspectivas de prognóstico e de que forma uma possível gravidez interfere no risco de uma recidiva no futuro.

Até pouco tempo atrás, existia a hipótese de que a gravidez poderia aumentar o risco do câncer de mama voltar. Entretanto, as evidências coletadas com estudos recentes demonstraram que engravidar após um diagnóstico de câncer de mama é seguro. Além disso, em alguns casos, isso poder ampliar a sobrevida das pacientes.

No mais, o estudo POSITIVE, publicado em 2022, mostrou que a interrupção do uso de medicamentos como o tamoxifeno também é uma alternativa segura para pacientes pós-câncer de mama que tem desejo de serem mães.

Entretanto, cabe ressaltar ainda que mesmo que a mulher tenha uma gravidez de sucesso, pode ser que ela não consiga amamentar seu filho. Em geral, algumas cirurgias, quimioterapia, radioterapia e uso de certos medicamentos podem interferir na amamentação.

Por outro lado, alimentar o filho com o leite do peito diminui o risco de câncer de mama em mulheres que não tiveram a doença previamente diagnosticada. No caso de mulheres que amamentam após o câncer de mama, não se sabe ao certo como isso pode influenciar nas chances de recidiva.

De que forma é possível preservar a fertilidade durante o tratamento do câncer de mama?

Felizmente, existem alternativas para as mulheres que desejam engravidar depois do diagnóstico e do tratamento de um câncer de mama. Congelamento de óvulos e de embriões são algumas das técnicas bem estabelecidas, seguras e recomendadas para preservação de fertilidade. Em geral, os especialistas recomendam o congelamento de óvulos em vez dos embriões, pois desta forma a mulher tem mais possibilidades de reprodução no futuro.

Entretanto, coletar os óvulos e realizar a fertilização in vitro tende a ser a opção mais eficiente de preservação de fertilidade. Para isso, os óvulos são retirados da paciente e fertilizados em laboratório. Os embriões obtidos são congelados e futuramente implantados na paciente, dando início a gestação.

Seja como for, a paciente pode ser submetida a diferentes processos de estimulação ovariana, principalmente para a facilitar a obtenção dos óvulos necessários. Isso é feito geralmente com o uso de determinados hormônios.

Já o congelamento do tecido dos ovários é uma técnica ainda em desenvolvimento onde um fragmento do ovário é removido e armazenado. Posteriormente ele é reimplantado, provendo a estimulação necessária para a liberação de novos óvulos capazes de gerar uma gravidez.

No mais, outro método que pode ser discutido envolve o uso de determinados fármacos para suprimir a atividade ovariana durante a quimioterapia. Isso pode reduzir o risco de infertilidade depois do fim do tratamento.

Como não poderia deixar de ser, a conveniência, os riscos e os benefícios de cada opção devem ser ponderados junto ao médico. É preciso considerar se é possível postergar o início do tratamento para coletar os óvulos necessários, por exemplo. Isso costuma levar algumas semanas, o que pode afetar o prognóstico do quadro. Além disso, é necessário avaliar os custos e a segurança de cada procedimento.

Veja também: Afinal, o câncer de mama entre jovens vem se tornando mais frequente?

Essas opções para preservar a fertilidade são seguras?

Por falar em segurança, um estudo sueco que compreendeu um intervalo de mais de duas décadas reforçou que as alternativas disponíveis para preservar a fertilidade não oferecem riscos para pacientes jovens. Foram acompanhadas 425 mulheres que fizeram algum tipo de intervenção para engravidar depois do tratamento. Como referência para comparação, foi reunida uma amostra com 850 pacientes que não passaram por esses procedimentos.

De acordo com o artigo publicado em 2020, 6% das pacientes acompanhadas que congelaram óvulos, embriões ou tecido ovariano morreram ao longo do acompanhamento da pesquisa (mais de 23 anos de seguimento). Ao mesmo tempo, entre as mulheres que não fizeram procedimentos para preservar a fertilidade, quase 13% morreram.

Dentro do grupo de pacientes que utilizaram opções para preservar a fertilidade, 97 deram à luz após o tratamento contra o câncer de mama. Ou seja, 23% das pacientes acompanhadas tiveram um bebê. Apesar disso, apenas 20 utilizaram alguma técnica de reprodução assistida e somente nove utilizaram o material preservado.

Entre as pacientes que não fizeram tratamento para fertilidade, foram registradas 74 gestações. Isso representa somente 9% de todas as participantes desse grupo. Apesar disso, a comparação exata não é possível. Não se sabe ao certo quantas mulheres desejavam engravidar e é mais provável que aquelas do grupo que recebeu tratamento para preservação da fertilidade tivessem uma tendência maior a querer filhos.

Em suma, ainda existem algumas dúvidas sobre a fertilidade durante o tratamento do câncer de mama e as consequências das intervenções necessárias para combater um tumor sobre a saúde reprodutiva feminina. Existem alternativas seguras e eficazes para preservar a capacidade de levar em frente uma gestação em um momento futuro, se essa for a vontade da paciente.

Aproveite para saber mais e veja como a hormonioterapia pode interferir na fertilidade e se é possível interrompê-la com segurança para engravidar.

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