Cirurgia conservadora, oncoplastia ou mastectomia: qual a melhor opção em casos de câncer de mama?
O diagnóstico de câncer de mama é um momento que exige decisões complexas para garantir o tratamento adequado. Entre as questões que surgem com mais frequência está a escolha do tipo de procedimento cirúrgico incluído como parte do esquema terapêutico: cirurgia conservadora, oncoplastia ou mastectomia?
Cada uma dessas opções tem indicações específicas, vantagens e pontos de atenção que devem ser cuidadosamente avaliados. Assim, a decisão final envolve critérios médicos precisos, além da perspectiva e das preferências da própria paciente.
Qual o papel da intervenção cirúrgica no tratamento de câncer de mama?
A cirurgia é, na grande maioria dos casos, um dos pilares centrais do tratamento do câncer de mama. Seu objetivo principal é a remoção do tumor com margens livres, o que garante que não restem células tumorais nos tecidos ao redor da área operada.
Em muitos cenários, a cirurgia é realizada de forma integrada a outros tratamentos, como a quimioterapia neoadjuvante (antes da cirurgia), a radioterapia adjuvante (após a cirurgia) e a hormonioterapia.
Essa combinação de recursos permite que o tratamento seja personalizado de acordo com o estadiamento da doença, o subtipo tumoral e as características individuais de cada paciente.
Além da finalidade oncológica, a cirurgia também tem um papel cada vez mais relevante no contexto da qualidade de vida. A escolha da técnica interfere diretamente na imagem corporal, na autoestima, no exercício saudável da sexualidade e no bem-estar psicológico das mulheres, o que torna a discussão sobre as opções disponíveis ainda mais importante.
Cirurgia conservadora, oncoplastia ou mastectomia: como funciona cada técnica?
As diretrizes atuais reforçam que a cirurgia conservadora é apropriada para muitas pacientes. Mas isso não significa que ela seja adequada para todos os casos. Portanto, compreender as diferenças entre cada abordagem é parte fundamental do processo de tomada de decisão compartilhada entre médico e paciente.
Cirurgia conservadora
O procedimento conservador, também chamado de quadrantectomia ou mastectomia parcial, consiste na remoção do tumor com uma margem de tecido saudável ao redor, preservando o máximo possível da mama.
De acordo com publicação da American Society of Breast Surgeons (ASBrS), essa abordagem é apropriada para a maioria das pacientes com câncer de mama em estágio inicial. Tal decisão leva em conta principalmente os cenários em que o tumor é pequeno em relação ao volume da mama, o que permite a remoção completa da lesão com resultado estético satisfatório.
A principal vantagem é a preservação da mama, o que costuma trazer benefícios importantes para a autoestima e a qualidade de vida da paciente. Entre as limitações, está a prescrição obrigatória de radioterapia adjuvante.
Além disso, pode haver necessidade de uma nova cirurgia caso as margens não estejam livres de células tumorais. Em paralelo, tumores grandes, múltiplos focos na mesma mama ou contraindicação à radioterapia podem direcionar para outras opções.
Contudo, estudo publicado em 2025 no periódico Scientific Reports com dados de milhares de pacientes mostrou que conservar a mama (cirurgia + radioterapia) tem resultados de sobrevida semelhantes aos da mastectomia com reconstrução.
Em alguns casos específicos (como tumores menores, sem linfonodos acometidos ou câncer triplo-negativo) a conservação da mama pode até apresentar melhores resultados. Já em tumores mais avançados ou no subtipo HER2, a mastectomia com reconstrução pode ser tão eficaz ou, em alguns casos, ligeiramente superior.
Oncoplastia
A oncoplastia é uma técnica que combina os princípios da cirurgia oncológica com as técnicas de cirurgia plástica.
O objetivo é remover o tumor de forma segura e, ao mesmo tempo, remodelar a mama para um resultado estético superior. Essa abordagem amplia as possibilidades da cirurgia conservadora, permitindo a retirada de volumes maiores de tecido sem comprometer a aparência.
Essa técnica é especialmente útil quando o tumor está em uma localização que dificultaria um bom resultado estético com a cirurgia conservadora convencional.
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Pacientes com mamas maiores também se beneficiam, pois a oncoplastia permite associar a remoção do tumor a uma redução mamária, equilibrando a simetria com a outra mama.
Estudo publicado na The Breast em 2024, com análise de diversas pesquisas, mostrou que a cirurgia conservadora com técnicas oncoplásticas apresenta melhores resultados do que a cirurgia conservadora convencional.
Essa opção reduz a chance de necessidade de nova cirurgia, de recidiva local e de retirada completa da mama, além de proporcionar estética mais harmoniosa e satisfatória. No geral, também apresentou menos complicações, sendo uma alternativa segura e eficaz para o tratamento do câncer de mama.
Mastectomia
Por fim, a mastectomia consiste na remoção completa do tecido mamário. É indicada quando o tumor é grande em relação à mama, quando existem múltiplos focos de doença ou quando há contraindicação à radioterapia.
Pacientes portadoras de mutações BRCA1 e BRCA2 também podem optar pela mastectomia como forma de redução de risco, inclusive na mama contralateral. Por outro lado, trata-se de uma cirurgia de maior porte, com recuperação mais longa e potencial impacto na imagem corporal.
Nesse contexto, a maioria das mastectomias pode ser acompanhada de reconstrução imediata, o que significa que a paciente já sai do centro cirúrgico com a mama reconstruída. As técnicas incluem o uso de implantes mamários ou de tecido da própria paciente, dependendo do caso.
Que fatores devem ser levados em conta para escolher a opção correta?
Cada mulher tem uma história, um corpo e prioridades diferentes. Por isso, na prática não existe resposta única para todas. O papel do mastologista é apresentar todas as opções com transparência, explicando os riscos e benefícios de cada caminho de forma clara. Assim, é possível levar em conta aspectos como:
- Tamanho e localização do tumor em relação ao volume total da mama;
- Número de focos tumorais (unifocal ou multifocal);
- Estadiamento da doença;
- Resposta à quimioterapia neoadjuvante, quando aplicada;
- Possibilidade de obtenção de margens livres adequadas;
- Presença de mutações genéticas de alto risco, como BRCA1 e BRCA2;
- Condições clínicas que possam contraindicar a radioterapia adjuvante, já que sua necessidade é um critério relevante para a indicação das técnicas conservadoras;
- Impacto esperado na imagem corporal;
- Contexto emocional e suporte disponível para o período de recuperação;
- Interesse ou não em reconstrução mamária.
A partir disso, se torna mais viável decidir entre cirurgia conservadora, oncoplastia ou mastectomia, sempre seguindo uma escolha baseada nas melhores evidências científicas disponíveis aliada a um olhar atento para a individualidade de cada paciente.
Aproveite e saiba mais agora sobre como uma cirurgia oncoplástica permite tratar um câncer de mama com menor impacto sobre a estética das mamas