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Radioterapia Intraoperatória - Intrabeam

Radioterapia intraoperatória na mama: o que é e como funciona o tratamento?

Quando chega a hora de partir para as opções cirúrgicas para o câncer de mama, existem algumas opções, conheça a radioterapia intraoperatória!

Quando os tratamentos menos agressivos não são o suficiente para combater o câncer de mama, chega a hora de partir para as opções cirúrgicas.

Neste momento, é comum que as pacientes sintam um certo receio, obviamente, pelo resultado efetivo da eliminação do tumor em si, mas também, em relação aos resultados estéticos de cada tratamento.

Neste cenário entra a radioterapia intraoperatória, que é uma das opções bem atrativas, pois, é bastante utilizada em conjunto com uma cirurgia conservadora, chamada quadrantectomia  que preserva boa parte da mama, sem deixar a efetividade de lado.

Na verdade, segundo um estudo publicado em 2021, feito pela JAMA na Suécia, com quase 49.000 pacientes com câncer de mama, as taxas de sobrevivência desse tipo de tratamento se mostraram maiores do que as taxas com o tratamento de mastectomia, que é a retirada total do seio.

No estudo, foram consideradas mulheres diagnosticadas com câncer de mama primário invasivo de até 5 cm (T1-2) e com linfonodos N0-2 e submetidas a cirurgia de mama.

O que é a radioterapia?

O tratamento de radioterapia consiste na utilização da irradiação ionizante com o objetivo de bloquear o crescimento descontrolado das células que formam um tumor.

É importante saber que nem todos os casos estão aptos a serem tratados com a radioterapia e dependem de avaliação mais criteriosa do especialista, no entanto, normalmente é bastante indicado nos seguintes casos:

  • Após cirurgias conservadoras das mamas – o que torna menor a chance de recidiva na mama ou nos linfonodos próximos;
  • Após a mastectomia – se o tumor tinha mais de 5 cm ou se já tinha atingido os linfonodos;
  • Se o tumor se disseminou para outros órgãos como os ossos ou cérebro.

Também vale lembrar que a radioterapia traz alguns efeitos colaterais como:

  • Inchaço e sensação de peso da mama;
  • Alterações na pele, nas regiões em que a irradiação foi aplicada;
  • Fadiga.

Veja mais detalhadamente como é utilizada a radioterapia para o tratamento de câncer de mama aqui!

O que é a radioterapia intraoperatória?

Como diz o seu nome, o IORT, do inglês Intraoperative Radiation Therapy, ou Intrabeam, consiste na aplicação única de radiação, no próprio ato da cirurgia, depois de retirar o tumor, sendo aplicado ainda abaixo da pele, no que chamamos de leito tumoral, após ressecção.

A paciente precisa atender aos critérios estabelecidos para a aplicação do tratamento de Intrabeam.

A base dessa técnica é a utilização de um cone metálico que direciona a radiação apenas para as áreas afetadas e possíveis pontos remanescentes de células cancerígenas, diminuindo a irradiação nos tecidos normais próximos.

Normalmente, o procedimento dura de 20 a 30 minutos e utiliza dose única, restrita ao leito tumoral, ou seja, onde estava instalado o tumor. Esse é justamente um dos diferenciais do Intrabeam, já que o tratamento convencional de radioterapia, em geral, é feito com um número de sessões que pode variar de 15 a 25. 

Indicações da radioterapia intraoperatória ou Intrabeam 

Como dito anteriormente, a radioterapia, seja intraoperatória ou não, é sempre indicado para qualquer cirurgia conservadora, (veja outros tipos de cirurgias para o câncer de mama aqui) ou em outras situações aqui já descritas.

O objetivo principal é reduzir a chance de recidiva do câncer na área próxima da parte removida e eliminar completamente as células menores afetadas.

Em alguns casos, os médicos cirurgiões também podem aplicar técnicas de cirurgias plásticas, tornando possível a conservação da aparência dos seios, mesmo se o tumor for grande ou tiver múltiplas áreas afetadas.

Por outro lado, o Intrabeam ainda é restrito em alguns casos:

  • Quando os tumores são menores do que 2 cm e têm baixa agressividade;
  • Quando o tumor tem perfil Luminal;
  • Quando o paciente tem mais de 50 anos e foram submetidas a cirurgia conservadora de margens livres.

Vantagens da radioterapia intraoperatória ou Intrabeam

O maior diferencial do Intrabeam é a redução do tempo de tratamento comparado com a radioterapia convencional, conforme já citamos. Porém, ainda podemos listar vantagens como:

  • Mais conforto às pacientes;
  • Ausência de efeitos colaterais na pele como vermelhidão e maior sensibilidade;
  • Pode ser aplicado no tratamento da coluna cervical;
  • É portátil, o que facilita a aplicação.

Quando não se deve utilizar a radioterapia intraoperatória

Dependendo do quadro, esse tipo de tratamento pode não ser adequado para as pacientes de câncer de mama. Alguns motivos são:

  • A radioterapia já foi utilizada no mesmo seio para um câncer de mama anterior;
  • Há um câncer muito grande ou múltiplos tumores na mesma mama;
  • O tamanho do câncer é desproporcional ao tamanho do seio e remover o tumor desfiguraria bastante a aparência do órgão;
  • O câncer de mama é inflamatório. Neste caso, é uma indicação direta para mastectomia;
  • Há doenças que envolvem a pele como lúpus ou esclerodermia;
  • Gravidez;
  • Há uma chance alta de desenvolver um novo câncer de mama, principalmente, por forte histórico familiar;
  • Foram feitas várias tentativas de remoção do câncer de mama por lumpectomia sem sucesso.

Leia também: Oncoplastia e reconstrução mamária: os diferentes tipos de cirurgia e quando são indicadas

A importância de falar com o médico

Além de poder avaliar clinicamente o seu caso e indicar as melhores opções, a conversa com médicos especialistas é sempre a melhor forma de entender todas as alternativas e consequências de cada escolha. Essa escolha, inclusive, vai além de só manter a estética após a cirurgia. Uma pesquisa do National Center of Health Research mostrou que quase metade das mulheres nos Estados Unidos, que estavam elegíveis para a lumpectomia, ainda preferiram a remoção total da mama.

O motivo de algumas foi para não ter preocupações futuras com recidivas do câncer e outras mulheres também consideraram ainda o fator financeiro.

Gostou desse conteúdo? Confira mais artigos do meu blog aqui!

Médica mastologista especializada em reconstrução mamária. Além de sua prática clínica, Dra. Brenda atua como mastologista no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, é preceptora da residência médica de Mastologia na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-UNIFESP) e membro titular da Sociedade Brasileira de Mastologia. | CRM-SP 167879 / RQE – SP Cirurgia Geral: 81740 / RQE – SP Mastologia: 81741

ps.in@hotmail.com

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