Como a cicatriz em L na oncoplastia contribui para tratar um câncer de mama com marcas menores e mais discretas?
Quando uma mulher recebe o diagnóstico de câncer de mama, geralmente duas preocupações surgem ao mesmo tempo: se o tratamento vai funcionar e como uma eventual cirurgia vai afetar a aparência das mamas.
A boa notícia é que atualmente as intervenções cirúrgicas não se limitam apenas à cura da doença. Exemplo disso é a aplicação de técnicas de cicatriz em L na oncoplastia.
Esse método permite que mulheres com câncer de mama, dentro de determinadas circunstâncias, mantenham a aparência natural dos seios, com marcas bem mais discretas. Pensando nisso, nos tópicos abaixo você confere um panorama sobre o tema.
O que é a técnica de cicatriz em L e por que ela é chamada de “técnica do decote livre”?
A cicatriz em L na oncoplastia é uma evolução da técnica clássica de T invertido. Enquanto essa opção tradicional deixa três cicatrizes (uma ao redor da aréola, uma vertical e outra horizontal em forma de âncora), a abordagem em L elimina a cicatriz que passaria pela parte interna da mama, próxima ao colo.
O resultado é um padrão de cicatriz que forma justamente um “L”: uma marca vertical que desce da aréola, conectada a uma cicatriz horizontal que fica apenas na lateral da mama.
Essa característica tornou a técnica conhecida como “técnica do decote livre”. As mulheres podem usar decotes, biquínis e roupas mais abertas sem que as cicatrizes apareçam no centro do peito. Ou seja: as marcas ficam estrategicamente posicionadas em áreas menos visíveis.
Assim, é possível compreender como essa técnica influencia de modo relevante o aspecto psicológico e emocional das pacientes.
Em outras palavras, manter a aparência satisfatória das mamas tem grande impacto na autoestima e na autoimagem dessas mulheres. E, como a literatura sobre o tema mostra, esse é um componente bastante preponderante na qualidade de vida após o tratamento.
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Como funciona o procedimento da cicatriz em L na oncoplastia?
Antes de mais nada, a cirurgia segue etapas cuidadosamente planejadas que integram a cirurgia oncológica com técnicas de plástica mamária. Para isso, são seguidas etapas que envolvem:
- planejamento das incisões em relação ao formato da mama e à posição do tumor;
- remoção do tumor com margens adequadas, com a finalidade de garantir a remoção completa da lesão, incluindo uma área de tecido saudável ao redor;
- remodelação mamária com o tecido que sobrou, redistribuindo a glândula mamária e removendo o excesso de pele, se necessário;
- posteriormente, éconsiderada a simetrização da mama contralateral (oposta) saudável, permitindo uma melhor composição da aparência por meio da modificação da forma, redução ou elevação do outro seio.
Cabe destacar que a técnica de cicatriz em L funciona especialmente bem para tumores com características específicas. Isso pode limitar a aplicação a tumores extensos ou multifocais. Contudo, é levada sempre em consideração a necessidade da remoção de margens seguras com a manutenção de resultados estéticos satisfatórios.
Quais os desafios para se obter um bom resultado com a cicatriz em L?
Apesar dos benefícios, a técnica de cicatriz em L tem limitações importantes que determinam quais pacientes são boas candidatas e quais serão os retornos obtidos pela abordagem.
Acima de tudo, ofechamento da incisão sem tensão acentuada é um desses pontos importantes. Quando a pele é esticada demais por conta das suturas, a pele pode ficar ondulada e acicatriz tende a alargar e engrossar, o que compromete o resultado estético. A fim de evitar isso, é preferível sempre recorrer a pontos internos de suspensão, distribuindo melhor a tensão da pele.
Além disso, cirurgiões devem sempre considerar a posição do tumor e a adequação necessária para compor a aparência das mamas de modo harmônico e satisfatório.
Que tecnologias e recursos são utilizados para garantir cicatrizes com o resultado esperado?
O cirurgião responsável pode utilizar determinadas tecnologias para otimizar os resultados estéticos. Além de pontos que buscam amenizar a tensão da pele, é possível também recorrer ao uso de materiais que favorecem a cicatrização.
Exemplo disso são as colas cirúrgicas biológicas aplicadas sobre os pontos internos, que ajudam a selar a pele e reduzem ainda mais qualquer tensão residual sobre a cicatriz.
As telas de poliéster, como o sistema Dermabond Prineo, são outro recurso valioso. Essas telas são colocadas sobre a sutura da pele, funcionando como um reforço que distribui a tensão e sustenta os tecidos durante a cicatrização.
Com o tempo, o próprio corpo incorpora a tela de poliéster, que fica permanentemente integrada ao tecido, mantendo a forma da mama a longo prazo e reduzindo as chances de queda acentuada posterior.
No mais, a adoção de placas de silicone sobre a cicatriz e tratamentos com laser ou luz pulsada visando o clareamento e alisamento das cicatrizes são frequentemente pertinentes. A aplicação dessas ferramentas de modo supervisionado estimula a hidratação da pele e a remodelação do colágeno, melhorando progressivamente a textura e a cor das marcas.
Seja como for, aavaliação adequada e o planejamento cuidadoso desde o diagnóstico são fundamentais para que a cicatriz em L na oncoplastia traga tanto os resultados oncológicos quanto os estéticos, permitindo que o câncer de mama seja enfrentado com preservação da autoestima da paciente.
Confira agora como funciona a lipoenxertia, uma outra técnica que permite a reconstrução mamária após o tratamento do câncer de mama utilizando a gordura do corpo da própria mulher.