Blog

Casal abraçados na cama

Entenda quais estratégias podem melhorar o desempenho sexual depois do câncer de mama

O diagnóstico de um tumor mamário é um momento significativo na vida de qualquer mulher, com um período de recuperação que se estende por meses e, às vezes, anos. E, entre os aspectos que precisam ser abordados, um tema ainda pouco explorado é o desempenho sexual depois do câncer de mama.

Ou seja: nem sempre se aborda adequadamente essa questão, que tem impacto direto na qualidade de vida e no bem-estar emocional das pacientes. Felizmente, existem sim estratégias que podem ajudar as mulheres a desfrutar de uma vida íntima satisfatória depois que as terapias terminam.

O impacto do câncer de mama na vida sexual das pacientes

Estudo publicado em outubro de 2025 no periódico Scientific Reports, feito com 88 mulheres brasileiras que passaram por pelo menos um ano de tratamento oncológico, mostra que 76% relataram algum incômodo relativo à vida sexual. As maiores queixas foram a piora da lubrificação vaginal e a falta de libido.

As reclamações eram mais relevantes nos cenários em que havia comorbidades preexistentes (como diabetes e hipertensão), mudanças corporais depois da cirurgia e falta de procedimento de reconstrução mamária. Seja como for, dados de fontes distintas apontam que o número de pacientes afetadas pode superar os 90%.

Além disso, outra publicação sobre o tema, dessa vez da revista da Sociedade Europeia de Oncologia Médica, mostrou que menos da metade das pacientes com esse tipo de reclamação recebe suporte adequado para a questão.

É preciso ter em mente que esse impacto se manifesta de diversas formas, incluindo alterações físicas e emocionais. Ademais, cada vez mais mulheres jovens são diagnosticadas com câncer de mama, tornando esse tópico ainda mais relevante.

Do ponto de vista físico, cirurgias que removem parte ou toda a mama podem resultar em mudanças na imagem corporal e na sensibilidade mamária. A quimioterapia, por sua vez, pode induzir menopausa precoce ou desregular o ciclo menstrual.

Já a hormonioterapia, amplamente utilizada em casos de câncer de mama com receptores hormonais positivos, pode causar efeitos colaterais como secura vaginal, diminuição da libido e desconforto durante a relação sexual.

Somados a esses fatores, aspectos emocionais frente a um momento em que o medo e a ansiedade são naturalmente maiores contribuem para um cenário ainda mais desafiador.

O impacto também se estende às relações. A disfunção sexual pode afetar negativamente a autopercepção da imagem corporal e interferir na dinâmica dos relacionamentos amorosos, prejudicando a vida nesse âmbito.

As queixas mais comuns nessa nova etapa da vida sexual

Entre as dificuldades relatadas pelas pacientes com relação ao desempenho sexual depois do câncer de mama, as mais relevantes (algumas das quais já citadas) estão:

  • diminuição do desejo sexual;
  • secura vaginal e atrofia genital;
  • dor durante a relação sexual (dispareunia);
  • dificuldade para atingir o orgasmo;
  • perda de sensibilidade nas mamas e mamilos;
  • prejuízos à autoimagem corporal, muitas vezes por conta de alterações na anatomia das mamas;
  • fadiga persistente, comum durante o tratamento, que interfere no interesse e na disposição para atividades sexuais;
  • ansiedade e estresse relacionados ao diagnóstico e ao medo de que a doença retorne;
  • menopausa precoce, induzida por tratamentos específicos, o que traz também uma série de outros incômodos;
  • incontinência urinária e outros sintomas geniturinários (como urgência miccional frequente, desconforto na região genital, coceira e irritação).

Leia também: Quais os riscos e como diminuir a chance de ser afetada pela recorrência de um câncer de mama?

O que deve ser feito para preservar o desempenho sexual depois do câncer de mama

De modo geral, a partir de uma avaliação individualizada, é possível apontar uma ou mais abordagens para melhorar o desempenho sexual depois do câncer de mama.

Acima de tudo, profissionais de saúde e outros especialistas devem ver essas estratégias de um ponto de vista multidisciplinar e integrá-las ao plano de cuidados da paciente. Para isso, as principais soluções dependem de aspectos como:

  • garantir espaço para diálogo aberto com a equipe médica, eliminando estigmas e proporcionando o acolhimento ideal;
  • ampliar o acesso à reconstrução mamária, algo que tem impacto positivo na autoconfiança, imagem corporal e na função sexual;
  • orientar sobre mecanismos para corrigir determinadas queixas, como lubrificantes à base de água ou silicone, hidratantes vaginais e estrogênio vaginal em baixa dose (quando pertinente), que ajudam a aliviar a secura e a dor durante a relação sexual com penetração;
  • proporcionar acompanhamento psicológico, que, se bem conduzido, reduz a ansiedade e os medos das pacientes. Também é um espaço para orientações sobre como retomar a atividade sexual e a intimidade de forma confortável;
  • incentivar exercícios para o assoalho pélvico, uma vez que eles fortalecem a musculatura vaginal, melhoram a flexibilidade e auxiliam no controle de determinados sintomas geniturinários;
  • promover o ajuste de expectativas para reforçar que a sexualidade pode mudar após o tratamento, o que inclui conversas com o parceiro ou parceira sobre os melhores caminhos para redescobrir o prazer.

Em suma, o desempenho sexual depois do câncer de mama é uma questão que merece ser tratada com seriedade e empatia. Com o suporte apropriado de uma equipe qualificada, é possível recuperar uma sexualidade saudável e plena.

Entenda agora se uma gravidez depois de um câncer de mama é uma opção segura e saiba quais fatores devem ser levados em consideração nessa decisão.

Médica mastologista especializada em reconstrução mamária. Além de sua prática clínica, Dra. Brenda atua como mastologista no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, é preceptora da residência médica de Mastologia na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-UNIFESP) e membro titular da Sociedade Brasileira de Mastologia. | CRM-SP 167879 / RQE – SP Cirurgia Geral: 81740 / RQE – SP Mastologia: 81741

ps.in@hotmail.com

Sem comentários
Comentários
Nome
E-mail
Website