Como companheiros (as) e familiares podem ajudar a amenizar o impacto emocional do câncer de mama
Além dos desafios físicos e do tratamento em si, há uma dimensão frequentemente subestimada, mas igualmente relevante, que surge com esse tipo de diagnóstico: o impacto emocional do câncer de mama.
Diante de tal notícia, é de se esperar que haja reflexos profundos também sobre a saúde mental e o bem-estar psíquico da paciente. Portanto, quem a cerca deve estar preparado para compreender essa dimensão para saber oferecer suporte adequado ao longo da jornada de recuperação.
O tamanho do impacto emocional do câncer de mama
A forma como cada pessoa reage à notícia de um tumor varia bastante. Todavia, é de se imaginar que uma série de sentimentos e emoções negativas se intensifiquem nesse momento.
Para quantificar isso melhor, uma metanálise — isto é, uma análise conjunta de estudos prévios — publicada no British Journal of Cancer revelou números expressivos sobre a prevalência de sintomas psicológicos clinicamente significativos após o diagnóstico de um câncer de mama.
Após consultar 34 artigos com diferentes amostras e metodologias, os autores concluíram que:
- 39% das pacientes apresentaram angústia e estresse geral de natureza não especificada;
- 34% desenvolveram sintomas de ansiedade;
- 31% experimentaram manifestações de estresse pós-traumático;
- 20% manifestaram depressão.
Tais dados reforçam que alterações na saúde mental são comuns nesse cenário. Por consequência, podem surgir sintomas como:
- distúrbios do sono, incluindo dificuldade para adormecer ou manter o sono;
- mudanças no humor, com sensação persistente de tristeza ou ansiedade;
- perda de interesse em atividades que antes traziam satisfação;
- alterações no apetite, resultando em perda ou ganho de peso;
- fadiga (nem sempre relacionada aos efeitos colaterais do tratamento);
- dificuldade de concentração ou foco.
Além disso, certos fatores podem intensificar o prejuízo emocional, como histórico prévio de problemas de saúde mental, diagnóstico em idade mais jovem ou prognóstico pior, falta de apoio social, menor acesso à educação e baixa renda.
O papel de companheiros(as) e familiares nessa jornada
Diante desse cenário, o apoio de pessoas próximas é fundamental para amenizar o impacto emocional do câncer de mama. Mas como oferecer esse suporte de forma efetiva sem causar mais mal do que bem? Algumas estratégias são bem úteis nesse momento desafiador:
- estar presente e disponível para ouvir. Muitas vezes, a paciente não precisa de conselhos ou soluções imediatas, mas de alguém que a escute com empatia e sem julgamentos. Usar frases como “está tudo bem se sentir assim nesse momento” ou “eu não consigo imaginar o quanto isso é difícil, mas estou aqui” é um primeiro passo importante;
- validar os sentimentos, reconhecendo que não existe uma maneira “certa” ou “errada” de sentir após o diagnóstico. É essencial também não minimizar o que a pessoa está sentindo com sentenças como “mantenha o pensamento positivo”, “seja forte” ou “você não parece doente”;
- oferecer ajuda prática, pois o impacto emocional pode ser agravado pelo estresse de lidar com tarefas cotidianas durante o tratamento. Entram nessa lista o auxílio com tarefas domésticas, preparo de refeições e acompanhamento em consultas médicas ou demais responsabilidades que possam estar sobrecarregando a paciente;
- informar-se sobre a doença e o tratamento para oferecer um apoio mais sólido e demonstrar genuíno interesse no processo de recuperação;
- respeitar os limites, tendo em mente que cada pessoa lida com o diagnóstico de forma diferente. Enquanto algumas preferem falar abertamente sobre a situação, outras podem precisar de tempo e espaço;
- manter alguma noção de normalidade dentro do possível. Embora o câncer seja uma parte importante da vida naquele momento, estabelecer algumas rotinas e ter espaços para atividades prazerosas pode ajudar a preservar a sensação de tranquilidade e controle.
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Outras recomendações para atenuar o impacto emocional
Além do suporte familiar, existem estratégias adicionais que podem ajudar a reduzir o impacto emocional do câncer de mama antes, durante e depois do tratamento. Algumas delas podem ser feitas sem apoio profissional, enquanto outras dependem de auxílio especializado. Entre elas estão:
- práticas e terapias complementares, como acupuntura, meditação e técnicas de respiração profunda, entre outras, que têm o potencial de ajudar a reduzir o estresse e a ansiedade;
- exercícios físicos regulares, mas adaptados às restrições da paciente, como caminhadas ou yoga, pois melhoram o humor, reduzem a ansiedade e aumentam a energia;
- grupos de apoio presenciais ou online, permitindo a troca de experiências para reduzir o sentimento de isolamento e aprender estratégias de enfrentamento com quem já passou por situações semelhantes;
- amparo psicológico para facilitar o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento mais saudáveis e efetivas;
- manutenção de uma comunicação aberta com a equipe médica, já que os profissionais podem orientar sobre recursos de apoio disponíveis e fazer ajustes no tratamento quando necessário para minimizar os efeitos colaterais que afetam a saúde mental.
Por fim, cabe destacar que o impacto emocional do câncer de mama não termina quando o tratamento acaba.
Muitas mulheres enfrentam desafios emocionais significativos durante o período de sobrevivência, incluindo medo de recorrência, dificuldades de adaptação à “nova normalidade” e preocupações sobre a autoimagem (causadas pela remoção parcial ou total da mama, por exemplo).
Logo, o acompanhamento psicológico e o suporte de pessoas próximas continuam sendo essenciais mesmo após o término do tratamento ativo. Essa é a melhor maneira de contornar o impacto emocional do câncer de mama e, pouco a pouco, superar os obstáculos que surgem.
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