Saiba como é feita e quais as vantagens de uma mastectomia com preservação do mamilo
A mastectomia com preservação do mamilo, também conhecida em inglês como Nipple-Sparing, é um avanço significativo quando se discutem as possibilidades de procedimentos cirúrgicos em pacientes com câncer de mama.
Em resumo, a técnica permite remover toda a glândula mamária mantendo intacto o “envelope” de pele e o complexo aréolopapilar. Tal recurso oferece às pacientes um resultado reconstrutivo mais próximo da mama natural. Desse modo, vale a pena repassar quais os benefícios e o que deve ser observado para garantir a segurança oncológica da abordagem.
Os critérios para a adoção da mastectomia com preservação do mamilo
Cada caso de câncer de mama é único, então é de se esperar que nem todo quadro clínico seja passível de ser operado com o uso dessa técnica cirúrgica específica.
Acima de tudo, o principal fator para determinar a viabilidade da preservação do mamilo é a distância entre o tumor e o complexo aréolopapilar (que une o mamilo e a área pigmentada ao redor).
Tradicionalmente, recomenda-se que os tumores estejam localizados a mais de 2 centímetros do mamilo. Distâncias menores podem ser aceitáveis em casos criteriosamente selecionados.
Além disso, a presença de múltiplos focos tumorais, tumores em estágio avançado ou com comprometimento intraductal extenso talvez restrinjam a opção. O mesmo vale para o subtipo molecular da doença (se receptor hormonal positivo ou não). Essa informação é útil ainda para determinar a necessidade de terapias adicionais (quimioterapia, terapia hormonal etc.).
Elementos relacionados à saúde geral e às características físicas da paciente também são considerados. Entram nessa lista o índice de massa corporal, o histórico de tabagismo e as doenças crônicas não controladas.
No mais, é essencial que a paciente apresente mamilo e pele sem sinais de envolvimento tumoral, retração ou quaisquer outras alterações, com formato e cor dentro do normal.
O passo a passo do procedimento de retirada do tumor com preservação do mamilo
O procedimento inicia-se com um planejamento cirúrgico detalhado. Exames de imagem pré-operatórios (mamografia, ultrassom ou ressonância magnética) são essenciais para definir com precisão a localização do tumor, inclusive em relação ao complexo aréolopapilar.
A localização mais comum para a incisão cirúrgica é o sulco inframamário. Incisões laterais ou inferiores ou técnicas oncoplásticas também são viáveis, sempre visando a manutenção de uma margem segura de tecido ao redor do mamilo.
Na sequência, a glândula mamária é separada do músculo do tórax. Neste momento, pode ser feita a coleta de uma amostra de glândula logo abaixo do mamilo para a chamada biópsia de congelação.
Esse teste no meio da operação é fundamental para garantir que não há células cancerígenas no tecido remanescente, orientando a conduta do cirurgião conforme necessário, como destaca a Sociedade Brasileira de Patologia.
Com o resultado reforçando a ausência de células tumorais, inicia-se imediatamente a reconstrução mamária. A intervenção é realizada quase sempre com implantes de silicone colocados diretamente ou após expansão tecidual com expansor.
O que a mulher operada pode esperar dos resultados
Os resultados da mastectomia com preservação do mamilo têm sido consistentemente encorajadores quando as pacientes são adequadamente selecionadas.
Acima de tudo, a preservação do complexo aréolopapilar oferece aparência significativamente mais natural comparada a outras técnicas de mastectomia. Logo, o resultado obtido contribui para melhorar a autoimagem, a autoestima e a qualidade de vida das pacientes.
As cicatrizes, quando estrategicamente posicionadas no sulco inframamário ou lateralmente, tendem a ser discretas. Contudo, é importante manter expectativas realistas, pois o tipo de incisão realizada pode causar deslocamento lateral do mamilo, por exemplo, entre outros incômodos.
A questão da sensibilidade do mamilo merece também atenção especial nas discussões pré-operatórias. A perda da sensibilidade tátil e da capacidade de resposta erógena do mamilo é a queixa mais frequentemente relatada, atingindo parcela relevante das pacientes. Por isso, elas devem estar cientes dessa limitação antes de optar pelo procedimento.
A recuperação pós-operatória segue um padrão similar ao de outras operações, exigindo controle da dor, utilização de drenos cirúrgicos e retomada gradual das atividades com o passar das semanas.
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A segurança oncológica da mastectomia com preservação do mamilo
Garantir que o risco de a doença voltar seja mínimo é, indiscutivelmente, uma preocupação importante ao considerar a preservação do mamilo em pacientes com câncer de mama. Felizmente, evidências apontam para a segurança quando profissionais a indicam de forma apropriada:
- Artigo na Nature Reviews of Clinical Oncologyapontam que as taxas de recorrência local da técnica são comparáveis às de mastectomias radicais, atingindo entre 3 e 6% dos pacientes em 5 anos.
- Publicação no periódico The Breastsugere que mastectomias com preservação de mamilo e pele apresentam resultados oncológicos equivalentes às mastectomias não conservadoras, com taxas de recorrência baixas e aceitáveis (de até 3,7%).
- Estudo daPlastic and Reconstructive Surgery, com acompanhamento médio de 10 anos, mostrou taxa de recorrência baixa, também em torno de 3% das pacientes submetidas à mastectomia com preservação do mamilo.
Mesmo casos mais complexos se beneficiam da técnica, se mastologistas e oncologistas responsáveis os avaliarem devidamente.
Artigo daJAMA Surgery sustenta que a mastectomia que conserva o mamilo pode ser segura para tratar até mesmo um câncer de mama invasivo (ou seja, que foi além dos ductos e lóbulos mamários). Em um universo de 944 pacientes, apenas 4,1% dos casos apresentaram recorrência no mamilo, após média de sete anos.
Seja como for, aliadas à escolha cuidadosa das pacientes em que a mastectomia com preservação do mamilo será realizada, a introdução adequada de outros tratamentos e o acompanhamento de longo prazo para identificar qualquer alteração de modo precoce são medidas insubstituíveis reforçar a segurança.
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