Entenda o que é uma contratura capsular e saiba quando ela exige a retirada das próteses
A colocação de próteses de silicone mamárias, seja para fins estéticos ou como parte da reconstrução após uma mastectomia, é um dos procedimentos mais realizados na cirurgia plástica em todo o mundo. Mas, como qualquer intervenção, há riscos, e é possível que a paciente, em algum momento, seja alertada sobre a chance da chamada contratura capsular. Portanto, compreender o que acontece com o tecido ao redor do implante e saber reconhecer os sinais de alerta é fundamental para tomar decisões mais seguras e embasadas, garantindo a segurança da mulher no longo prazo.
O que é uma contratura capsular e por que ela acontece?
Ao ser inserida no organismo, qualquer prótese é reconhecida pelo sistema imune como um corpo estranho. Em resposta, o corpo forma ao redor do implante uma camada de tecido cicatricial chamada cápsula. Esse processo é natural, esperado e, na maioria das vezes, completamente assintomático: a cápsula que se forma costuma ser fina, maleável e discreta, cumprindo a função de estabilizar o implante no lugar. A contratura capsular acontece quando esse tecido cicatricial se espessa e endurece de forma excessiva, comprimindo a prótese. O resultado pode ser uma mama que se torna progressivamente mais firme, deformada e, em casos mais avançados, dolorosa.
O FDA, órgão regulador norte-americano equivalente à brasileira Anvisa, alerta que as contraturas capsulares estão entre as complicações mais comuns em próteses mamárias. Já a American Society of Plastic Surgeons reconhece entre os fatores para o surgimento da alteração elementos como:
- a presença de bactérias ao redor do implante (o chamado biofilme);
- sangramentos durante a cirurgia;
- o tipo e a textura da prótese utilizada;
- a predisposição individual de cada paciente (algo muitas vezes influenciado pela resposta imune do organismo de cada pessoa).
Em mulheres que passaram pelo tratamento de um câncer de mama, a radioterapia é outro fator de risco relevante. A razão para isso está no fato de que a radiação provoca alterações nos tecidos, o que faz com que a cápsula, que o corpo naturalmente forma ao redor do implante, fique espessa e rígida.
Quais são os possíveis sinais dessa complicação?
Reconhecer os sinais precocemente faz diferença no resultado do tratamento. A contratura capsular pode se manifestar de formas bastante variadas, dependendo do grau de progressão. De qualquer maneira, vale ter atenção a sinais como:
- Endurecimento progressivo da mama;
- Mudança no formato ou na posição do implante;
- Desconforto ou dor na região mamária;
- Mama com aparência arredondada ou esférica de forma incomum;
- Sensação de pressão ou aperto.
Tais sintomas podem surgir alguns meses após a cirurgia ou anos depois, e tendem a evoluir de forma gradual. Além disso, para facilitar a avaliação clínica, a medicina utiliza a classificação de Baker, que estratifica a contratura capsular em quatro graus:
- Grau I, em que a mama está macia e com aparência natural, sem queixas. A cápsula é invisível e assintomática;
- Grau II, em que a mama se apresenta levemente mais firme à palpação, mas sem distorção visual aparente. A maioria das pacientes não tem dor;
- Grau III, no qual a mama está visivelmente alterada, ficando mais dura, com forma globular ou distorcida, e o implante pode ser palpável ou visualmente perceptível. Pode haver desconforto;
- Grau IV, em que, além de toda a deformidade do grau anterior, a mama é dolorosa ao toque, com dor que pode ser constante. O implante pode estar deslocado, frequentemente migrado para cima do tórax.
Caso qualquer uma dessas mudanças seja percebida, é importante comunicar o cirurgião plástico responsável. O diagnóstico geralmente é feito por exame físico, podendo ser complementado por ultrassonografia ou ressonância magnética para avaliar a integridade do implante e a espessura da cápsula.
Em que cenários a contratura capsular exige a retirada da prótese?
Nem toda contratura capsular leva à retirada do implante. Nos graus I e II, o acompanhamento clínico costuma ser suficiente. A necessidade de intervenção cirúrgica passa a ser avaliada nos graus III e IV, quando a deformidade é visível, a dor está presente ou o bem-estar individual é afetado. De modo resumido, as opções cirúrgicas incluem:
- Capsulotomia aberta: são feitas incisões na cápsula para liberar a tensão ao redor do implante, sem necessariamente retirá-la por completo. Em alguns casos, o implante existente é trocado por um novo.
- Capsulectomia total: é a remoção cirúrgica da cápsula junto com o implante, em um único bloco, indicada apenas em casos específicos. Em seguida, pode ser colocada uma nova prótese ou a mama pode ser reconstruída por outros meios.
Cabe reforçar que a retirada definitiva das próteses sem substituição é recomendada em certas situações. É o que acontece em casos de contratura grau IV, especialmente quando há dor intensa ou deslocamento significativo do implante.
Nesse contexto, dependendo das condições individuais, pode ser necessário procedimento complementar para remodelagem do tecido mamário, inclusive com fragmentos de outras partes do corpo. Outra situação na qual pode indicar a retirada do implante é a ruptura associada à contratura. Nesses casos, a capsulectomia com troca ou remoção definitiva costuma ser o caminho recomendado.
Vale ressaltar que a decisão de retirar ou manter a prótese deve levar em conta o histórico completo da paciente, o grau de contratura capsular, o impacto na imagem corporal e os objetivos de reconstrução. Logo, o tratamento deve ser individualizado e discutido de forma transparente entre médico e paciente.
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