Como fica a mama após o explante e quando a intervenção deve ser associada a outros procedimentos?

Consultório médico com duas modelos de seios em primeiro plano e duas mulheres conversando ao fundo.

Como fica a mama após o explante e quando a intervenção deve ser associada a outros procedimentos?

Por uma série de razões, a decisão de retirar as próteses de silicone vem sendo cada vez mais adotada. Contudo, essa dcisão também levanta uma dúvida recorrente no consultório: como fica a mama após o explante?

A resposta depende de fatores individuais, como o tempo de uso do implante, o volume das próteses, a elasticidade da pele e as características da mama antes do aumento.

Por isso, o planejamento cirúrgico vai muito além da simples remoção do implante. Em diversos casos, o explante é associado a outras técnicas para que o resultado final seja o mais harmonioso e natural possível. É isso o que discutimos neste conteúdo!

O que acontece com a mama após o explante?

De acordo com dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, em 2024 foram realizados no Brasil cerca de 42 mil procedimentos de remoção de próteses mamárias.

Seja qual for a razão por trás da escolha, em linhas gerais, ao remover a prótese, a mama perde o volume que era sustentado artificialmente pelo implante. Isso expõe as condições reais da pele e da glândula mamária. As alterações mais comuns observadas após o explante incluem:

  • flacidez: a pele, que foi distendida durante o tempo em que o implante esteve presente, pode não retrair completamente sozinha, sobretudo em pacientes com próteses de grande volume ou muitos anos de uso;
  • excesso de pele: quando a elasticidade da pele já estava reduzida antes do implante (por gestações, variações de peso ou pelo processo natural de envelhecimento) sobra tecido que antes era “preenchido” pela prótese;
  • perda do polo superior: é comum que a região acima da aréola fique mais achatada ou vazia, já que essa área costuma depender diretamente do volume do implante para manter sua projeção;
  • assimetria: diferenças de flacidez, posição do mamilo ou volume remanescente entre as duas mamas podem se tornar mais evidentes sem o implante.

Apesar disso, vale destacar que a aparência do seio após o explante não é, necessariamente, a de uma “mama murcha” ou definitivamente comprometida. Com planejamento adequado, é possível alcançar um contorno natural. Todavia, isso exige, com frequência, associar o explante a procedimentos complementares.

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Em que cenários pode ser interessante associar o explante à mastopexia?

Como destaca a Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos, a mastopexia, ou lifting mamário, eleva as mamas ao remover o excesso de pele e tensionar o tecido circundante, remodelando e sustentando o novo contorno mamário. Ela costuma ser indicada junto ao explante quando há:

  • flacidez acentuada, com pele visivelmente sobrando após a retirada da prótese;
  • ptose mamária relevante, ou seja, queda importante do mamilo em relação ao sulco inframamário;
  • assimetria entre as mamas que compromete o equilíbrio estético do conjunto;
  • longo tempo de uso do implante ou próteses de grande volume, fatores que tendem a comprometer ainda mais a elasticidade da pele.

Nesses casos, a associação em uma única intervenção costuma ser vantajosa. Isso evita uma segunda intervenção e permite corrigir, na mesma cirurgia, tanto a retirada do implante quanto o reposicionamento do tecido remanescente. As cicatrizes resultantes variam conforme a quantidade de pele removida, podendo ser periareolares, verticais ou em formato de T invertido.

E quando a lipoenxertia é a melhor opção?

A lipoenxertia consiste na transferência de gordura da própria paciente para a região mamária. Ela entra em cena principalmente quando o objetivo é recompor parte do volume perdido com o explante, sem recorrer a um novo implante. O mastologista ou cirurgião tende a indicá-la quando:

  • a flacidez presente é discreta ou moderada, sem necessidade de grande remoção de pele;
  • há perda de volume no polo superior, mas o restante da mama mantém um contorno razoável;
  • a paciente deseja evitar cicatrizes adicionais maiores, como as da mastopexia;
  • existe área doadora de gordura disponível no corpo, já que pacientes com baixo percentual de gordura corporal podem não ser boas candidatas.

É importante que a paciente tenha uma expectativa realista quanto ao volume final. Mesmo com o aproveitamento de toda a gordura disponível, o enxerto raramente devolve a mesma projeção proporcionada pela prótese. Ainda assim, a técnica cumpre um papel relevante ao suavizar retrações, preencher áreas vazias e manter um volume final satisfatório.

Uma publicação no periódico Aesthetic Plastic Surgery ressalta que a transferência de gordura é um método seguro e eficaz para restaurar o volume após a remoção de implantes, proporcionando alta satisfação das pacientes quanto ao formato das mamas.

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Qual o papel da opinião especializada na decisão pela melhor abordagem?

Como cada mama responde de forma diferente à retirada do implante, não existe uma técnica única e válida para todas as pacientes.

Na prática, o profissional responsável define, após uma avaliação individualizada, se realizará o explante de forma isolada ou associado à mastopexia, à lipoenxertia ou à combinação dessas técnicas.

Nessa avaliação, entram em jogo aspectos como a qualidade e a elasticidade da pele, o grau de ptose (a queda do tecido mamário), o volume mamário remanescente, a presença de gordura corporal disponível para enxertia e as expectativas da própria paciente em relação a volume, formato e cicatrizes.

Portanto, discutir abertamente com a equipe médica as diferentes opções, incluindo a possibilidade de não recompor o volume artificialmente, ajuda a paciente a chegar a uma decisão alinhada com sua rotina e seus objetivos.

Em resumo, a mama após o explante pode, sim, alcançar uma aparência harmoniosa e natural, desde que o cirurgião construa uma estratégia cirúrgica sob medida, respeitando as características anatômicas e as expectativas de cada paciente.

Quer saber mais sobre o que esperar antes e depois da cirurgia de explante de silicone? Então confira esse outro conteúdo que já foi destaque aqui no blog!

Médica mastologista especializada em reconstrução mamária. Além de sua prática clínica, Dra. Brenda atua como mastologista no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, é preceptora da residência médica de Mastologia na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-UNIFESP) e membro titular da Sociedade Brasileira de Mastologia. | CRM-SP 167879 / RQE – SP Cirurgia Geral: 81740 / RQE – SP Mastologia: 81741

ps.in@hotmail.com

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