Entenda quais os riscos das próteses mamárias de silicone e saiba como se proteger

Modelo anatômico de seios com próteses, frascos e seringa sobre mesa em ambiente clínico.

Entenda quais os riscos das próteses mamárias de silicone e saiba como se proteger

A colocação de implantes nos seios está entre os procedimentos cirúrgicos mais realizados no Brasil e no mundo. Ela se dá tanto por motivos estéticos quanto diante da necessidade de reconstrução após o câncer de mama. Isso, porém, não significa ignorar os riscos das próteses mamárias de silicone.

Apesar de seguros para a grande maioria das pacientes, tais itens não são vitalícios. Além disso, eles estão associados a contratempos que precisam ser conhecidos, bem como monitorados adequadamente.

A seguir, explicamos quais complicações são mais frequentes, quais são raras (mas merecem atenção redobrada) e como funciona o acompanhamento recomendado para quem já tem ou pretende colocar implantes.

Quais são os riscos mais comuns depois da colocação das próteses mamárias de silicone?

Como destaca a FDA (Food and Drug Administration), existe uma lista de complicações locais associadas aos implantes mamários. Segundo o órgão, que tem papel similar ao da Anvisa no Brasil, esse conjunto de intercorrências pode ocorrer em pelo menos 1% das pacientes com implantes mamários, em qualquer momento após a cirurgia. Entre as mais relevantes, estão:

  • Contratura capsular, que é a complicação mais comum a longo prazo e ocorre quando a cápsula que se forma naturalmente ao redor do implante se contrai e endurece, deixando a mama mais firme, dolorida ou com aparência alterada.
  • Ruptura e extravasamento do gel, em que o implante pode se romper devido ao desgaste natural com o tempo, compressões durante mamografias, traumas ou manuseio cirúrgico. No caso do silicone, a ruptura costuma ser silenciosa, o que torna o acompanhamento por imagem essencial.
  • Seromas e hematomas, que correspondem ao acúmulo de líquido ou sangue ao redor do implante, mais comuns no pós-operatório imediato, mas que também podem surgir posteriormente.
  • Infecções, que podem ocorrer dias após a cirurgia ou, mais raramente, anos depois. Eventualmente, costuma exigir a remoção do implante.
  • Alterações de sensibilidade, assimetria, visibilidade e ondulações, que agrupam mudanças na sensibilidade do mamilo ou da mama, diferenças entre os dois lados, ou o implante tornando-se perceptível ou visível sob a pele.

Nesse contexto, quanto mais tempo o implante permanece no corpo, maior a chance de algum desses problemas exigir uma nova cirurgia. Ela pode ser feita com ou sem substituição do dispositivo.

Leia também: Entenda as possibilidades da reconstrução mamária com próteses ou expansores teciduais

Quais são as complicações consideradas raras, mas relevantes (como a BIA-ALCL, entre outras)?

Embora pouco frequentes, algumas complicações associadas às próteses mamárias ganharam destaque nos últimos anos por seu impacto na saúde e por motivarem mudanças regulatórias importantes.

A mais conhecida é o linfoma anaplásico de grandes células associado ao implante mamário (BIA-ALCL). Ele é um tipo raro de linfoma de células T (componentes do sistema imune) que se desenvolve no tecido cicatricial ou no líquido ao redor do implante.

O risco está associado principalmente a implantes de superfície texturizada, especialmente os macrotexturizados. Tal característica já motivou um recall pela FDA em 2019 para uma linha específica de implantes.

De acordo com a Sociedade Norte-Americana de Cirurgiões Plásticos, a probabilidade de uma mulher com esses implantes desenvolver o BIA-ALCL oscila entre uma chance em 355 e uma chance em 30.000.

Outra condição que tem ganhado espaço no debate é a BII, ou “doença do silicone“. O termo é usado para descrever um conjunto de sintomas sistêmicos como fadiga persistente, dores articulares e musculares, névoa mental, queda de cabelo e problemas gastrointestinais.

A própria FDA reconhece que recebe relatos desses sintomas em pacientes com implantes de silicone e salina, embora a origem ainda não esteja totalmente esclarecida. Em parte dos casos relatados na literatura, a remoção do implante sem substituição esteve associada à melhora dos sintomas.

Há ainda outros achados raros, como carcinoma espinocelular (CEC), outros tipos de linfoma além do BIA-ALCL e sarcomas identificados na cápsula ao redor de implantes.

No mais, existe um debate contínuo sobre a possível associação entre implantes e o desenvolvimento de quadros autoimunes, conhecida como síndrome ASIA (Síndrome Autoimune Induzida por Adjuvantes).

Apesar das preocupações, as evidências disponíveis não permitem apontar uma relação definitiva. A avaliação deve sempre ser individualizada e baseada em histórico clínico e sintomas.

Como devem ser as estratégias de prevenção e acompanhamento para quem tem ou deseja colocar implantes

Como quase tudo que envolve saúde, não existe uma solução única para prevenir tais riscos. Contudo, algumas medidas são efetivas para diminuir o perigo e identificar complicações precocemente:

  • Escolha informada do tipo de implante: discutir com o cirurgião as diferenças entre implantes lisos e texturizados, e entre silicone e salina, considerando o perfil de risco de cada um.
  • Acompanhamento de imagem regular: ressonâncias magnéticas ou ultrassonografias periódicas são importantes para detectar rupturas silenciosas;
  • Atenção a sinais de alerta: inchaço persistente, dor localizada, assimetria nova, nódulos palpáveis ou endurecimento da mama merecem avaliação médica imediata.
  • Cuidado redobrado durante exames de imagem: informar sempre a equipe de mamografia sobre a presença de implantes, já que a compreensão durante a avaliação pode, em casos raros, favorecer rupturas.
  • Evitar procedimentos não recomendados: técnicas como a capsulotomia fechada (pressão manual para “quebrar” a cápsula, abordagem considerada defasada) são desaconselhadas pelos especialistas por aumentarem o risco de ruptura.
  • Acompanhamento de sintomas sistêmicos, como fadiga persistente, dores articulares ou névoa mental.
  • Reavaliação periódica, mesmo sem queixas: como os implantes não são permanentes, consultas de rotina ajudam a monitorar a integridade do dispositivo, permitindo decisões apropriadas sobre eventual troca ou remoção.

Em resumo, conhecer os riscos das próteses mamárias de silicone não significa que elas sejam, em si, perigosas para a maioria das pacientes. Todavia, eles certamente exigem acompanhamento contínuo. Então, conversar abertamente com o cirurgião sobre o tema é a melhor forma de aproveitar os benefícios do procedimento com segurança.

Para continuar lendo sobre o assunto, confira agora como funciona o procedimento para a retirada das próteses de silicone.

Médica mastologista especializada em reconstrução mamária. Além de sua prática clínica, Dra. Brenda atua como mastologista no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, é preceptora da residência médica de Mastologia na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-UNIFESP) e membro titular da Sociedade Brasileira de Mastologia. | CRM-SP 167879 / RQE – SP Cirurgia Geral: 81740 / RQE – SP Mastologia: 81741

ps.in@hotmail.com

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