Os possíveis sinais e o que deve ser feito em caso de ruptura da prótese mamária

Modelo anatômico do seio, com detalhes sobre estruturas internas, ao fundo um ultrassom e materiais de consulta.

Os possíveis sinais e o que deve ser feito em caso de ruptura da prótese mamária

Quem convive com implantes nas mamas, seja por questões estéticas ou após uma cirurgia oncológica, inevitavelmente se depara com a pergunta: o que acontece em caso de ruptura da prótese mamária?

Embora essa complicação seja um risco consideravelmente comum entre as alterações que podem atingir a saúde das mamas, entender o que acontece no corpo nessa situação é essencial para agir com segurança.

Por isso, compreender como esse evento ocorre, quais sinais podem indicá-lo e quais são as abordagens possíveis é parte fundamental do acompanhamento seguro após a colocação das próteses.

Que fatores podem levar ao rompimento de uma prótese mamária?

Os implantes mamários, sejam salinos ou de silicone, têm uma camada externa de silicone que, ao longo do tempo, pode desenvolver uma fissura ou perfuração. Quando isso acontece, ocorre a ruptura. Existem diferentes mecanismos envolvidos.

O envelhecimento natural do implante é o fator de risco mais preponderante: quanto mais tempo a prótese permanece no organismo, maior a probabilidade de comprometimento de sua integridade. Entre os diversos outros fatores que podem contribuir para o rompimento, estão também:

  • Traumas físicos externos, como acidentes de carro, quedas ou procedimentos como biópsias com agulha ou mesmo durante mamografias, que exigem que a mama seja comprimida;
  • Danos causados por instrumentos cirúrgicos durante intervenções na mama;
  • Defeitos de fabricação ou falha na válvula (no caso dos implantes salinos);
  • Contratura capsular, em que o enrijecimento do tecido cicatricial ao redor do implante pode exercer pressão excessiva sobre a prótese, favorecendo a ruptura.

Dados publicados em artigo de 2022 da revista Aesthetic Plastic Surgery” apontaram que, num grupo de 763 mulheres com próteses mamárias acompanhadas entre 2003 e 2019 (com período médio de 12 anos), foram registradas rupturas em cerca de 15% das pacientes.

Esse percentual, claro, pode ser maior ou menor a depender de uma série de circunstâncias e tende a ser bem menor nos primeiros anos depois da cirurgia.

Ainda assim, o FDA (Food and Drug Administration, equivalente nos Estados Unidos à Anvisa) aponta que esse é um dos principais riscos relacionados às próteses.

Leia também: Linfomas em implantes de mama são mais frequentes em mulheres com mutação nos genes BRCA utilizando próteses texturizadas

A ruptura da prótese mamária provoca sintomas?

Nessa questão, a resposta depende do tipo de prótese. O comportamento do dispositivo após uma ruptura é diferente entre os implantes salinos e os de silicone.

No caso dos implantes salinos, a ruptura costuma ser imediatamente perceptível. O soro fisiológico que preenche a prótese vaza rapidamente (geralmente num intervalo de alguns dias) e a mama apresenta perda de volume e firmeza visíveis. A solução salina, no entanto, é absorvida pelo organismo sem causar riscos maiores.

Já nas próteses de silicone, o cenário é mais complexo. O gel de silicone é espesso e não é absorvido pelo corpo. Quando a ruptura acontece e o gel permanece contido dentro da cápsula cicatricial que naturalmente se forma ao redor do implante, a paciente frequentemente não percebe nenhuma alteração.

É o que se denomina ruptura silenciosa. Esse é um quadro que não produz sintomas evidentes e, por isso, tende a ser descoberto apenas durante exames de imagem de rotina. Quando a ruptura de silicone provoca sintomas, eles costumam surgir de forma gradual e podem incluir:

  • alteração na forma, no volume ou na simetria das mamas;
  • endurecimento ou sensação de firmeza incomum em uma das mamas;
  • dor, desconforto ou sensibilidade local persistente;
  • nódulos palpáveis ao redor ou fora da área do implante;
  • vermelhidão, inchaço ou calor sem causa aparente;
  • sensação de pressão ou puxão na região mamária.

Diante do risco de episódios assintomáticos, a principal estratégia de prevenção de complicações graves é o acompanhamento regular. Para isso, mulheres com implantes mamários devem manter um calendário de consultas e exames em intervalos periódicos conforme indicação médica, independentemente de apresentarem queixas.

A ruptura da prótese mamária geralmente é confirmada por meio de ressonância magnética (método mais indicado) ou ultrassonografia (também viável para esse fim).

Quais as abordagens mais adequadas para impedir possíveis complicações?

A conduta recomendada após a confirmação é a remoção do implante, levando em conta também o material da prótese:

  • Na ruptura salina: embora a urgência seja menor, a retirada costuma ser planejada assim que possível;
  • Na ruptura de silicone: a remoção deve ser ágil, pois o gel pode migrar para além da cápsula e atingir áreas próximas. Quando isso ocorre, o cirurgião busca remover a maior quantidade possível do material extravasado.

Do ponto de vista cirúrgico, muitas vezes o procedimento inclui também a remoção da cápsula cicatricial, dependendo das condições locais e do grau de comprometimento. Se ambos os implantes estiverem presentes e apenas um tiver rompido, pode ser recomendada a retirada dos dois.

Mulheres que desejam nova prótese podem, em muitos casos, receber o implante substituto na mesma cirurgia. Outras podem preferir ou necessitar de uma reconstrução com tecido autólogo (ou seja, com enxertos de tecido da própria paciente). Essa alternativa elimina o risco de rupturas futuras, ainda que com maior complexidade cirúrgica e tempo de recuperação.

Ademais, o quadro deve ser tratado com urgência quando há extravasamento do silicone além da cápsula, comprometimento de linfonodos, dor intensa ou surgimento de nódulos suspeitos.

Por fim, vale reforçar que toda decisão após a constatação da ruptura da prótese mamária deve ser tomada em conjunto por médico e paciente após um bom diálogo, levando em conta o histórico, o tipo de implante, o tempo de uso, as expectativas da mulher em relação à reconstrução e os riscos individuais.

Aproveite e entenda agora quais as evidências sobre a segurança da reconstrução mamária com enxerto de gordura

Médica mastologista especializada em reconstrução mamária. Além de sua prática clínica, Dra. Brenda atua como mastologista no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, é preceptora da residência médica de Mastologia na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-UNIFESP) e membro titular da Sociedade Brasileira de Mastologia. | CRM-SP 167879 / RQE – SP Cirurgia Geral: 81740 / RQE – SP Mastologia: 81741

ps.in@hotmail.com

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